Quarta, 23 de Outubro de 2019.
[03/2010] Obras da GM no Estado devem começar em abril

As obras civis para implantação da segunda ampliação da fábrica da General Motors em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, devem começar em abril, após liberação das licenças ambientais para o empreendimento. O diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan, informou, na sexta-feira, que empresas gaúchas interessadas em fornecer produtos e serviços para o projeto Ônix, com investimento total de R$ 2 bilhões, terão de disputar preferência com concorrentes globais. O projeto prevê dois modelos de automóveis a serem produzidos a partir de agosto de 2012.

Pela primeira vez a GM reuniu indústrias locais do ramo metalmecânico e serviços ligados à implantação de uma montadora para repassar exigências, processos de homologação e critérios de contratação. A atitude cumpre promessa feita em agosto de 2009, um mês após o grupo anunciar o investimento. Da cifra total, R$ 1,4 bilhão será injetado na unidade gaúcha para produção da nova família de veículos. Está prevista a abertura de mil empregos diretos para produção de unidades, que se agregarão aos atuais modelos Celta e Prisma. No ano passado, a fábrica gaúcha montou 220 mil carros, quantidade próxima da capacidade anual de 230 mil. O novo projeto elevará em mais 150 mil veículos o volume anual, podendo alcançar a fabricação de 380 mil unidades.

O encontro com candidatos a atender à GM ocorreu na sexta-feira, na sede da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), e foi organizado com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no Estado. Mais de 50 empresas participaram. Moan deixou claro que os fornecedores gaúchos não terão preferência e terão de cumprir expectativas de preço, qualidade e serviço. “Estamos abrindo uma porta da GM para fornecer à unidade no Estado, a outras no Brasil e a centros mundiais”, destacou o diretor da companhia, reforçando que haverá licitação internacional para cotar aquisição de máquinas a autopeças. Moan afirmou que os projetos para a ampliação, que inclui design de ferramentas e peças e modelos, estão prontos. Ele apontou o câmbio como um componente desfavorável aos fornecedores brasileiros, pois ajuda a baratear os importados. A indústria local vai disputar o cliente automotivo com industriais chineses.

Hoje quase 500 fornecedores das plantas e centos de desenvolvimento de produtos da General Motors brasileira são do Estado. Em 1997, segundo o diretor da montadora, eram apenas sete. A fábrica da GM foi inaugurada em 2000 em Gravataí com a linha do Celta. Em 2004, houve a primeira ampliação para fazer o Prisma. Os dois modelos têm 94% de peças nacionais. Para Moan, a unidade ajudou a recuperar espaço da indústria de autopeças local. De quinto lugar no setor no País, passou hoje a ser a terceira. O diretor regional da Abimaq, Harnane Cauduro, aposta na diversificação da indústria gaúcha. Cauduro cita a qualidade de produtos para linhas de montagem, usinagem e prensas. Também projetou que empresas de outros ramos metalmecânicos poderão se voltar ao segmento de automóveis.

Fornecedores apostam em suas facilidades logísticas
Componentes como ar-condicionado e partes do motor usados hoje na montagem de veículos da fábrica de Gravataí vêm de fora do Estado. Para conquistar uma maior fatia entre os fornecedores da unidade, os gaúchos apostam em sua maior vantagem, a logística, que contribui para redução de custos e da composição do preço final do automóvel. Hoje 17 empresas integram o grupo de sistemistas, situados na sede da planta em Gravataí. Para o diretor administrativo e financeiro do grupo Fockink, com sede em Panambi, Frederico Edvino Bechert, conquistar mais um contrato com a GM é sinônimo de acesso global a mais mercados, dentro e fora da companhia automotiva.

Bechert estava entre os privilegiados, na reunião de sexta-feira, que já forneceram serviços ao grupo. A empresa, com quase 63 anos, foi contratada na implantação da planta da GM em Gravataí em 1998. “Estamos nos preparando para a nova concorrência desde o anúncio do investimento”, assegura o executivo. A direção da montadora revelou o novo projeto em julho de 2009. Com 35% do faturamento, que chegou a R$ 100 milhões em 2009, oriundo de serviços de instalação elétrica, mecânica e de utilidades (gás, água etc), o grupo gaúcho indica como diferencial neste ano a concorrência mundial, que foi bastante salientada pelos representantes da empresa.

Bechert aposta que os serviços já prestados pela Fockink serão um cartão de apresentação na nova concorrência. “A disputa é global e exigirá mais competência e capacitação. Mostramos no primeiro projeto que temos capacidade”, valoriza o executivo. No encontro na Fiergs, o diretor de compras da GM, Fred Roldan, explanou desde a política da empresa e virtudes que aprecia em fornecedores - como ética e transparência em tabelas de preços - até a importância dos cuidados ambientais das plantas e processos industriais.

O diretor da Fockink adiantou que a área de resíduos e de tipo de materiais integram o trabalho da empresa e serão demonstrados na busca de homologação. “Fornecer para a GM abre mercado potencial no setor”, adverte. Após o contrato da implantação da fábrica, a empresa gaúcha venceu contratos para a Audi e Scania e hoje tem atuação também na América Latina.

Fonte: Jornal do Comércio...
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