Quarta, 23 de Outubro de 2019.
[10/2009] Setor de autopeças aquece economia com acordos
Os acordos salariais realizados nas últimas semanas entre empregados e fornecedoras de autopeças para montadoras devem injetar cerca de R$ 21 milhões na economia do Estado.

Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram um balanço das 20 negociações realizadas na região, que garantiram a cerca de 5 mil a 6 mil trabalhadores da categoria aumentos reais de 3,7% (8,3%, no total), abonos de R$ 1,5 mil e piso salarial de R$ 1 mil.

Para o presidente do SMC, Sérgio Butka, um dos principais fatores positivos das negociações deste ano foi a consolidação do Estado como referência para o setor no País, ao lado da região do grande ABC, em São Paulo onde os acordos deste ano foram inferiores aos paranaenses.

“O Paraná hoje é um grande balizador das últimas negociações nacionais. Antes todos esperavam o que iria acontecer no ABC para usar os acordos como referência”, observou.

De acordo com Butka, o piso salarial do setor de autopeças fechado na Grande Curitiba já é maior que do Grande ABC, que é de R$ 980. Mesmo assim, os salários médios na região paulista ainda são maiores que os paranaenses, que recebem R$ 2.273. Em São Bernardo do Campo, por exemplo, a média é de R$ 2.927; no restante da Grande São Paulo, de R$ 2.342; em Campinas, chegam a R$ 3.330.

O sindicalista apontou que, ao menos no setor de autopeças, as negociações, feitas individualmente com cada empresa, foram rápidas e não ficaram marcadas por greves mais destacadas.

Segundo ele, os funcionários da companhia Thyssenkrupp Presta, em São José dos Pinhais, foram os que realizaram a paralisação mais longa, que durou 24 horas. Na maioria das outras, quando houve suspensão das atividades, a pausa foi curta: de 30 minutos a uma hora apenas.

O economista do Dieese, Cid Cordeiro, avaliou que as conquistas foram positivas. “As negociações começaram em um patamar de 0% e chegaram aos 3,7% de aumento real”, diz.

Para ele, o cenário, este ano, foi bem diferente, já que a crise levou a uma série de demissões no setor, entre as duas datas-base. “Os trabalhadores pagaram a crise com o emprego, e foram buscar a retomada no salário”, explica.

Apesar dos resultados positivos nas fornecedoras de autopeças, uma das empresas, onde as negociações devem começar no mês que vem, deverá merecer cuidados especiais do Sindicato. É a Bosch, que, em crise devido à diminuição da demanda internacional, demitiu, ainda em junho, 900 funcionários.

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